Conto: O Sussurro da Floresta
Em Verdejade, a ligação ancestral de um herbalista elfo é testada quando exploradores humanos exigem acesso aos limites proibidos de Mazonas.
"Enquanto alguns povos contam os anos por reis ou guerras, os elfos contam o tempo pelas árvores que ainda permanecem de pé."
— Antigo provérbio élfico
O ar em Verdejade cheirava a terra úmida e musgo esmagado. Era o odor da vida contínua. Para Elian, aquele não era um vilarejo escondido na Floresta de Mazonas, mas sim o ponto onde as raízes do mundo conversavam mais alto.
Com as mãos delicadas e manchadas pela seiva das folhas-de-prata, ele secava as ervas da colheita do dia. A Clave Artística não via o trabalho com as plantas como um ofício, mas como uma canção. Cada casca retirada era uma nota, cada maceração, um acorde.
"Então é aqui que os famosos curandeiros se escondem."
A voz quebrou a melodia da floresta. Grossa, impaciente, arrastando um sotaque carregado das tavernas do Rio Preto.
Elian não se virou imediatamente. Ele colocou a última folha-de-prata na esteira de secagem, sentindo o zumbido das árvores ao redor diminuir, retraindo-se diante da presença estrangeira. Somente então, limpou as mãos no tecido cru de suas calças e encarou os intrusos.
Eram três. Usavam couro fervido e malhas de aço leve que tilintavam com cada movimento — armaduras comuns entre mercenários que faziam a escolta nas caravanas da Rota dos Lobos. O líder tinha barba falha, cicatrizes cruzando a testa e o hábito de falar com a mão pousada no pomo da espada, como quem quer que você note o peso que carrega antes de abrir a boca.
"Buscamos a resina da Lágrima-da-Noite," ele exigiu, sem se apresentar. "Fomos informados que os herbalistas de Verdejade sabem onde encontrá-la."
Elian cruzou os braços. Seu rosto, liso e pálido, não demonstrava irritação. Apenas pena.
"A Lágrima-da-Noite floresce no coração da mata, perto do Bosque Ancestral," respondeu, a voz suave. "Suas propriedades são... intensas. Não é vendida a mercadores de Antares. Ela deve ser solicitada com propósito."
"Eu tenho um propósito, orelhudo." O homem deu um passo. O metal raspou. "Oito centenas de moedas de ouro nos aguardam em Antares. A Academia Arcana está pagando muito bem por reagentes."
"O ouro não alimenta a floresta."
"Eu não pedi para você negociar." A paciência do mercenário era de fachada, e a fachada estava cedendo. "Pedi para você apontar o caminho. Se não for por ouro, será pelo sangue."
Ele sacou a espada. O metal brilhou de forma antinatural na penumbra de Verdejade.
Elian não recuou. Ficou parado onde estava, os olhos na lâmina, respirando. A floresta ao redor deles havia ficado quieta de uma maneira que não era silêncio — era atenção. Os galhos altos se curvaram levemente, adensando o teto verde acima das cabeças.
O herbalista fechou os olhos.
Não estava pedindo coragem. Estava pedindo permissão.
A resposta chegou como sempre chegava — não em palavras, mas na mudança de temperatura do ar, no jeito que a seiva sob sua pele aqueceu levemente, como um assentimento velho e verde e paciente.
"A trilha fica ao norte," disse Elian, abrindo os olhos. "Mas a Floresta de Mazonas não possui caminhos fixos. Ela reorganiza suas passagens de acordo com o coração daqueles que a caminham."
O líder dos mercenários sorriu — escárnio com um resquício de vitória — e guardou a espada. "Estou acostumado com terrenos difíceis. Fique com suas ervas mortas, elfo."
Elian os observou marchar em direção ao norte.
Não emitiu um aviso. Não tentou impedi-los. A crise fora resolvida com uma aparente submissão, e apenas Elian sabia a diferença entre as duas coisas.
Enquanto a luz do sol começava a desaparecer por trás do paredão de árvores, o zumbido da floresta retornou. Não era mais a melodia tranquila de antes. Era um sussurro agudo, vibrante, quase faminto.
As árvores da Floresta de Mazonas não apenas guiavam os puros; elas consumiam os tolos. O bosque se moveria, as trilhas se fechariam, e aqueles homens jamais encontrariam a saída — alimentando o ciclo da terra que acreditavam poder saquear.
Elian pegou o pilão e recomeçou a triturar as raízes. O som compassado se misturou ao vento distante que parecia, estranhamente, ecoar como algo sufocado pelas folhas.
"Nenhum caminho permanece o mesmo," ele sussurrou para a seiva em suas mãos. "E o ciclo continua."